Tulio Piva

1915-1993

 

 

 

 

 

A vinda para Porto Alegre


Como é que um cara lá do meio do mato, de Santiago do Boqueirão, me sai sambista?, foi a pergunta que o então jovem radialista gaúcho Paulo Deniz fez pro seu colega e humorista Carlos Nobre. O ano era 1954 e o Nobre puxava Deniz prum canto dos estúdios da Rádio Gaúcha, a fim de apresentá-lo ao farmacêutico-prático Túlio Simas Piva, que já havia se apresentado nos bares boêmios de Porto Alegre, mesmo ainda morando em sua longínqua cidade natal.
Desta vez era Tem Que Ter Mulata, que seria sucesso quase instantâneo. Deniz o arrastou pro ensaio do Norberto Baldaulf & Seu Conjunto - o um dos melhores conjuntos melódicos gaúchos de então - e acertou ali mesmo a primeira gravação da música. Não deu outra. Esta música foi regravada em diversos idiomas, inclusive em russo. Certa feita, Túlio passeava por Montevidéu numa tarde de Carnaval quando passou uma murga - que é o bloco de carnaval lá deles -, feliz da vida, mandando o maior candombe: tiene que tener mullata, tiene que tener mullata…
Em 1955, Túlio e sua família mudaram-se de Santiago para Porto Alegre. A capital gaúcha, se já não era mais a cidade que, nos anos 10, quase rivalizou com Buenos Aires em movimentação musical, ainda assim resplandecia uma Pasárgada de possibilidades para um já nem tão jovem compositor.
Logo estava instalada - na Rua dos Andradas quase esquina com Dr. Flores - a Drogaria Piva. Em pouco tempo, ali seria um ponto de encontro vespertino da boemia da terra. Naquela época, era comum cantores de renome viajarem pelo país atrás de músicas inéditas pra gravar. E o samba-batucada de Túlio garrou fama. Elza Soares, Germano Mathias, Carmélia Alves, Francisco Petrônio, Luís Vieira, Noite Ilustrada, Caco Velho e muitos outros nomes ilustres do samba dos anos 50 gravaram músicas dele. Três nomes bastariam: o lendário Conjunto Farroupilha, os eternos Demônios da Garoa e uma menina vesga, risonha e tímida, espécie de mascote da turma do Túlio, onde todos já a apontavam como a futura maior cantora brasileira: Elis Regina Carvalho Costa.
Um grande momento veio em 68. Foi o grande vitorioso do II Festival Sul-Brasileiro da Canção Popular, com Pandeiro de Prata e, na saída, ter sido carregado nos ombros pelos seus admiradores. Como grande vencedora deste concurso regional, a música interpretada por Edgar Pozzer foi para o Rio, participar do festival O Brasil Canta no Rio, mas não teve o mesmo sucesso.


Boêmio, homem de família e amigo de verdade


Na década seguinte, anos 70 -, Túlio e seu inseparável Lucio do Cavaquinho montaram dois bares que marcariam a noite da cidade: o Gente da Noite e o Pandeiro de Prata, localizados no bairro Cidade Baixa, marcado pela boemia. Muito sucesso, mas pouco dinheiro. Os donos ficavam compondo sambas no escritório ou tocando palco enquanto os gerentes mexiam indevidamente no dinheiro.
Mas, ele não se importava, pois as alegrias eram diárias e maiores do que estes detalhes. Foi nessas casas que Túlio compôs a maior parte dos seus 500 sambas. Foi lá que os netos, filhos da única filha, Vera, estrearam na música. Rodrigo Piva, que tinha doze anos na estréia, hoje é compositor e cantor e mora em Florianópolis. Rogério, que tinha dez, hoje é um dos maiores bandolinistas do Brasil, ainda que pouca gente saiba.
O grande problema, e ao mesmo tempo alegria de Túlio é que, além de compositor, cantor e violonista, ele sempre foi muito arraigado à família. Quando veio em definitivo para Porto Alegre, já não era nenhuma criança. Não teve vontade, necessidade ou coragem pra arriscar a vida no centro do País. Foi ficando. Pagou o preço de nunca ter estourado nacionalmente, não ter virado um Herivelto Martins, um Luis Antônio. Mas, pelo menos, viveu seus últimos anos de vida cercado de gente de todas as idades: os velhos amigos, filhos e netos. Ao lado de Dona Heloísa, sua fiel companheira, mais de meio século de casamento e franca tietagem. No meio dos troféus, seus entes também eram dignos de um grande orgulho.


Os últimos momentos do boêmio


Túlio, apesar de estar longe de sua cidade natal, mantinha a sua simplicidade e cultivava um grande número de amigos. Musicalmente, não era contra o uso de novas tecnologias nas regravações de suas músicas, desde que não as descaracterizassem. Seus netos Rodrigo e Rogério herdaram o gosto pela música, sendo atualmente dois grandes bandolinistas.
Seu último show ocorreu em 1991, Túlio Piva 75 Anos, uma homenagem prestada pelo grupo de chorinho Bando Bom pra Cachorro. Pelos relatos de alguns componentes da banda, Túlio parecia um garoto em seu primeiro show, alegre e aproveitando intensamente aquele momento, que imaginava que seria o último nos palcos da vida. Isto pelo fato dele manter em segredo a doença que lhe custaria a vida.
Talvez por isso, ele também buscava viver intensamente seus últimos momentos na vida, junto aos parentes e amigos, em casa e no hospital, onde ficou internado e veio a falecer de embolia pulmonar, decorrente do agravamento do câncer de próstata que lhe acometia há cerca de dois anos.
No ano do seu falecimento, foi homenageado pela Academia de Samba Praiana, escola do Grupo Especial de Porto Alegre, com o enredo Lua e Sol, Cenário Inspirador de um Poeta: Túlio Piva. Ele era esperado no desfile, que ocorreu duas semanas após o óbito, tornando assim o enredo uma homenagem póstuma. Mas, foi representado por seus netos, que desfilaram tocando e cantando no carro de som junto ao intérprete praianense Edson Chulepe.
Outra grande homenagem ao grande músico foi o batismo de um teatro bastante freqüentado no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O antigo Teatro de Câmara passou a acrescentar o nome de Túlio Piva em sua identificação oficial: tornando-se assim o Teatro de Câmara Túlio Piva.

http://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%BAlio_Piva

Composições inéditas

inspiradas por Julio Piva a Marisa Cajado:

Alma de compositor

Destino adiante

* As músicas em bege ainda não estão prontas. Conforme forem sendo

formatadas, serão colocadas no ar, à disposição dos leitores e visitantes do site.

Créditos:

 

Midi:

"Noites cariocas "

http://www.beakauffmann.com/mpb_n/noites-cariocas.html

 

Imagem : Tela Marisa Cajado

Melodia:

Livro de Visitas

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