Foi Deus

 

 

 

 

Uma história real
Marisa Cajado

Amigo
Esta é uma história verídica de um homem que se ligou a Deus.
Dedicou sua vida a buscá-lo e o encontrou finalmente.
Relato-a, para dizer a você que Deus existe, busque-o, encontre-o, porque encontrá-lo em si é trabalho de cada um. 
Marisa Cajado

Foi Deus
          
O sol já havia apontado há algumas horas naquela clara manhã de março.
O mar esverdeado estava agitadíssimo, além do normal, produzindo estrondoso ruído ao bater nas muradas.
Aqui e ali voava um passarinho. No espraiar da areia, alguns pares caminhavam de mãos dadas. Mais adiante, um atleta corria e uma senhora caminhava lentamente , atenta aos folguedos das crianças  que faziam seus castelos na areia.
Um grupo de surfistas aqueciam-se nos exercícios, antes de ganhar as ondas bravias e indiferentes, à beleza daquela paisagem marítima.
Eu caminhava no compasso pausado de todas as manhãs, embora sentisse naquele momento, algo de estranho no ar, que a propriamente , não sabia explicar.
Segui meu curso pela encosta, cada vez mais absorvido pela paz daquele instante matinal, agradecendo minha moradia, a beira-mar.
Eu caminhava pela calçada que ladeava a mureta empedrada, ora em linha reta, ora em linha curva. Diminuí a marcha ante a subida do pequeno morro.
Lá embaixo o mar bramia espoucando nas pedras com estrondoso ruído. Parei, surpreendido pela beleza daquele local, enquanto meditava na incomensurável grandeza Divina.
Os surfistas já haviam adentrado as ondas que cada vez mais cresciam. Um espetáculo curioso aquele, jovens com roupas emborrachadas, se equilibravam com maestria naquelas pranchas coloridas presas aos seus pés por uma pequena corda.
Chamou-me atenção a destreza daquelas criaturas bronzeadas, braços musculosos. Um professor de surf ministrava aulas para meninas que aguardavam sua vez de entrar na água aquecida pelo astro rei
Quando em vez, a mente fugia daquele local e tecia considerações sobre Deus.
Em minha infância possuía a fé religiosa baseada num Deus ausente de nossas necessidades reais.
Sempre fui avesso a qualquer imposição e logo cedo desinteressei-me das religiões até que um dia a vida mostrou-me que Ele existia.
Esta experiência, conquanto pessoal, foi tão intensa e fascinante que dediquei minha vida a procurá-lo.
Se Ele existe pensei, vou encontrá-lo. 
Depois de uma grande busca pautada em pesquisas, estudos profundos e vivências, nos encontramos. Hoje Ele está em mim e eu Nele.
 Não mais poderia agora viver sem senti-lo
A vivência de Deus em nós é indescritível porém é única e individual.
A mente ia e vinha em seus devaneios. O pensamento parecia acompanhar o vai e vem ritmado das ondas, ora aqui, ora distante, talvez a procura de outro plano.
Fixei novamente as ondas, agora mais atentamente, formando ao se erguerem verdadeiros paredões de água gigantescos, na medida propícia para aquele esporte comum das cidades praianas, o surf.
  Aquele  espetáculo lembrava os shows circenses, com homens equilibrando-se em arames ou cordas  tremulantes.Também os surfistas bamboleavam e contorciam-se naqueles pedaços de fibra preparada com todo o zelo, a fim de serem instrumentos precisos de cada esportista.
  Quando em vez, um deles caía das pranchas desaparecendo na espuma branca, para reaparecer dali a pouco nadando à procura de outra vaga maior e subir novamente a manter-se em pé.
    Quanta coragem, pensei!
   Nem poderia afirmar ao certo, se seria coragem ou imprudência, a verdade é que estava muitíssimo impressionado com aquela contenda homem & mar, um verdadeiro jogo desafiante e perigoso.
 Por mais uma vez veio-me ao pensamento, a idéia de Deus.
  A consciência apontava -me o seu modo de agir.
   Já havia descoberto sua força, sabia que Ele atuava no meu interior em determinadas situações.
   Em toda minha estrada, eu procurava sempre escutar...


A voz divina
 
Ah! a voz Divina
Que ecoa no universo
Em nuance cristalina
É o anseio do meu verso
 
É voz a surgir silenciosa
Do recôndito do ser
Liberdade grandiosa
É eterno reviver
 
Em tudo ela está presente
Som  a muitos, inaudível
Que o coração pressente
No vibrar inconfundível.
 
Nada há mais sublime
Do que ouvir esta voz
Augusto som que exprime
O Criador dentro em nós


   Aprendi a ouvir sua voz em meu ser. Sim eu a escutava. É uma voz firme e clara, não há como ignorá-la. Atua no emocional e no mental.
   A voz Divina é tão inconfundível que a diferenciamos de todos os sons conhecidos e a ela nada se compara.
   Desde há muito a reconheço no recesso do ser,  mas porque a insistência do pensamento Deus naquele dia?  A resposta viria logo mais...
    Em meus estudos profundos, quando de sua busca, aprendi que Deus falaria comigo de várias maneiras, bastaria apenas que eu estivesse atento à Sua voz.
     Antes do meu encontro com Ele eu questionava envolto por sombrias dúvidas:
          Como será a voz de Deus?
    Virá através de alguma voz, espiritual, ou então da natureza?
    É, que na minha ingenuidade, eu não havia entendido que Ele envia seus recados de várias formas, por muitos instrumentos e fala conosco através de nós mesmos pelo canal da sintonia Divina estabelecida à medida que crescemos e nos purificamos.   E como seria essa purificação?
   Como se daria esta sintonia?
   Ah! busquei tanto este amor em meu caminho, na ilusão dourada que a matéria proporciona até que exaurido...

Voltei
 


Ante a vida parti para ilusão.
Do amor dourado preso ‘a emoção
Aquele amor que busca receber.
Doido que fui em achar que amor é isso
Livre, febril, sem compromisso
Na insensata ilusão do Ter.
 
Porém a desilusão, a dor o desengano.
Demonstraram dia a dia, ano a ano,
Que no caminho deste amor, eu me enganei.
Que amor é luz, é paz, é serenidade,
Invés de ter, busca dar felicidade,
Então ao verdadeiro amor, voltei.


   Sim, ao verdadeiro amor voltei, porque através dele eu poderia encontrar Deus.
   Deus é simplicidade, como simples são as leis da natureza, nós as complicamos e nunca paramos para estudá-las.
   Deus habita em nós, portanto temos que prestar-lhe atenção.
   Mas prestamos atenção em que? Tão exteriorizados nos encontramos que o dia passa e não percebemos.
  Onde será que encontraríamos Deus, lá fora?

O sol já começava a incomodar. Estava um calor estafante e pensava em voltar para casa, quando o olhar fixou um surfista que havia se afastado do grupo.
   Assustei-me ao perceber que ele estava se distanciando muito.
   Outra vez recordei sobre a força Divina. Não concebia o porque daquela idéia insistente, em tornar o nome de Deus tão presente em meu pensamento.    Olhei o céu, quase sem nuvens, embora um vento mais forte prenunciava mudança de tempo para breve.   Baixei os olhos e desta vez com maior preocupação. Ao fitar o oceano vi nitidamente que o surfista estava nadando em zona de perigo.
     Lutava contra a quebra das ondas que cada vez mais  se alteavam.
Um pequeno grupo reunido na mureta, gritava para que se afastasse das pedras. Ele tentava, mas a corrente o levava para a rebentação. O seu cansaço estava se tornando evidente.
    Lembrei então de ter assistido uma aula de bombeiros salva – vidas naquela mesma área, um pouco mais adiante. Estavam sendo treinados para ir de encontro às pedras aproveitando as ondas. Eles deixavam-se levar pelas mesmas  e se agarravam às pedras quando a onda voltava .
    Naquele dia passado, o mar estava calmo,   diverso deste que via agora, arrebatador e bravio.
 Tornei a olhar para o surfista que bravamente nadava tentando fugir da arrebentação e mergulhei em pensamento, naquelas águas vivendo o sofrimento daquele rapaz. Olhei em torno tentando localizar o resgate, mas ninguém presente.
   Minha mente analisava friamente a situação, enquanto a dele se ocupava em encontrar a salvação. Absorvia-lhe a angústia tentando safar-se das pedras. Percebi claramente que não haveria solução, ele iria se afogar. Estava se cansando, fugindo desesperado do paredão natural  que se erguia dentro do mar.
   Senti quando ele se rendeu à cruel realidade e meditei: Só Deus!
 
   Deus! Deus! , a palavra mágica.
   Quando entreguei o caso a Deus, imediatamente fez-se a sintonia.
 
   Não era mais a minha vontade e sim a dele que comandaria as ações daquela criatura prestes a deixar o corpo físico.
 
   Da mesma forma que eu, também ele estabeleceu o contato com esta força interior que é o poder divino.
          Como por encanto as idéias começaram a fluir.
  Ouvi nitidamente a voz de comando interior:     As pedras são a salvação.
 
  Imediatamente estabeleci com aquele jovem uma conexão mental e Deus nos guiava.
 
  Sim ele também estava ouvindo e a cada pensamento meu ele obedecia. Era perfeita a sintonia.
 
  Enviei então à sua mente  a experiência dos salva – vidas.
 
   E a voz interior dizia: Aproveite as ondas para chegar às pedras e eu transmitia-lhe a mensagem como se estivéssemos falando num telefone.
   Sem relutar ele obedecia e descansava um pouquinho flutuando quando o mar permitia.
   Saí do muro em que me encontrava  um pouco distante e corri até as pedras e ele já estava se aproximando do local.    Continuava a passar mentalmente a forma de ação dos bombeiros: “Deixe que a onda o arremesse nas pedras e se agarre quando ela voltar.”
 Foram três tentativas, as duas primeiras em vão, porém a terceira foi plena de êxito.
   Outro companheiro chegara, aproximando-se mais, se posicionando num ângulo melhor mais perto se equilibrando na pedra escorregadia, puxou o surfista até onde eu estava, segurei-o na outra mão e juntos tiramos jovem.
   Quando se viu a salvo ainda com voz ofegante exclamou:
   - Não acredito que me safei desta.
 
  Já ia me retirando, pois sentia haver realizado o que ali fora fazer,  quando uma força me fez permanecer.
  Fitei aquele rapaz nos olhos e disse-lhe com a tonalidade clara e firme:
  - Foi Deus quem o salvou.
   Ele repetiu
  - Sim foi Deus, eu nunca acreditei nele mas sei que foi Ele, que me salvou.
   Dizendo isto entusiasmado começou a relatar aos surfistas que se aproximavam aos poucos a mesma experiência que eu houvera vivenciado na mente
  Ele havia captado par e passo todas as ordens que minha mente passava através da mente Divina interior.
  Essa foi minha confirmação.
  Afastei-me feliz, nós o salvamos Deus e eu.
 Sim porque aprendi a escutar a Sua voz e pude servir de instrumento.
  Fui eu, mas poderia ter sido você,  se aprendesse a escutar a voz de Deus.
       Somos deuses de um Deus maior e poderemos atuar com Ele quando prestarmos atenção ao nosso interior e reconhecermos Sua vontade.
Cristo há dois mil anos afirmou:
“O reino dos céus está dentro de vós.”
Meditei longamente na bênção do meu encontro com Deus. Desde o dia que isto aconteceu nunca mais fui o mesmo.
  Na verdade custou-me muita renuncia, estudos , pesquisas , disciplina séria e uma luta voraz para vencer meu inimigo principal :
  O ego.
  Fitei o horizonte como num tempo distante a recordar...


Aquele Homem

Aquele homem,
De cruz ao ombro
Vai caminhando
Tão devagar.
Da humanidade,
Sente o escombro,
Mas está sempre
A perdoar.
Vai prosseguindo
Ninguém compreende,
Mas ele entende
Sua missão.
Mostrar a toda
Humanidade
A felicidade
Da perfeição.

De cruz ao ombro
Seguindo a frente
Vai enfrentando,
Os martírios seus.
Olha o horizonte
Olhar distante.
Alma presente
Ligada em Deus.
Seguindo em frente ganhei a moradia.
Uma paz reconfortante invadia-me o ser.  
zSim, era a sensação do dever cumprido, de um estágio alcançado após muitos anos de entrega total a uma crença. A crença em Deus plasmada na certeza retirada do encontro sublime, Criador e criatura.
  Naquela mesma noite ao recostar-me ao travesseiro um eco se fazia ouvir em minha alma:
 
Foi Deus que me salvou!

 

 

 

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Imagem: Marisa Cajado

 

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