FALTA ALGO

Doze horas!
Há um silêncio de amor, nesta hora do dia, aqui neste pedacinho de paz que é nossa creche.
Adoro passear pelo corredor nestes momentos. Os sapatinhos surrados e simples, estão enfileiradinhos. Observo na cena cotidiana, uma grande mensagem.
As crianças estão adormecidas. Sinto  paz de crianças dormindo!, como dizia nossa inesquecível compositora Dolores Duran, que hoje envia músicas, a mim  da dimensão espiritual.
A melodia suave toma conta do ambiente e os pequenos, estão entregues ao sono reparador, sonhando talvez com brinquedos que viram nas lojas ou pela tela da TV.
Tem no entanto, a capacidade de sorrir e sonhar, coisa que os adultos perderam há muito.
Daqui a pouco irão acordar e permanecerão até o final da tarde, entre folguedos e brincadeiras que nossos funcionários prepararam com carinho. Assistirão  filmes, de cenários coloridos, luz e encantamento, acordes com seu mundo infantil.
Farão ao despertar, o lanche e mais tarde o jantar.
Ao saírem no entanto, o que os aguarda?
Perpasso olhar pelo morro, sinto o odor dos esgotos, que contrastam com o cheirinho agradável do desinfetante talco, utilizado na creche. Em casa, uma mãe sofrida, um pai bêbado, uma mesa vazia, uma espera contínua de nada. Seu futuro, embasado pela violência, pela droga, pelo crime.
Ah! Os sapatinhos enfileirados com a mensagem da ordem e da inocência, do sonhos da fantasia, tão diversos da realidade.
Quando será que construiremos a realidade dos sonhos?
Ficam tão pouco conosco, nossos pequeninos. Hoje já nos deixam aos cinco anos, para enfrentar a escola pública, com parcos recursos, as classes superlotadas, as professoras tentando conseguir algum resultado.
Há quantos séculos, lutam uns poucos idealistas, por uma reforma?
Quantas reformas iniciadas, sem continuidade?
Quantos problemas levantados sem soluções?
Falta algo, o que?
O que faz a terra girar?
Que força nos faz agir?
Qual a ação é certa?
Qual certeza é a verdadeira?
Onde encontrar as respostas?
Algo no entanto já descobri em mim.
A ciência explica o movimento da Terra
Minha ação depende da força do estímulo.
A ação mais certa é a impessoal, vinda do estímulo interior.
Meu interior é divino, quando movido pelo amor.
O amor em mim é a manifestação de um sentimento profundo, intenso, sereno, pacífico, harmônico expressado pela razão e emoção em sintonia perfeita, nascido na consciência espiritual para exteriorizar-se na consciência física.
Muito além das palavras, o que traz a materialização é a energia e a expressão da energia só se dá através  do que é, e não,do que tem aparência de ser.
“Ser ou não ser, eis a questão”

Marisa Cajado 

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