A PROMESSA

I

Caía a tarde

O azul do céu, tingia–se de dourado

A retratar no pincel, da natureza,

Um quadro de singular grandeza

Do esplendor crepuscular.

Escurecendo aquele palco iluminado,

Acendendo estrelas no côncavo azulado

A preparar sem alarde,

O espetáculo multicor

Da chegada do luar

II

O sacerdote, aspirante à paz

Já havia galgado

 A invejada posição

De aprendiz do amor.

Por hora, matriculado,

Na escola bendita da dor

A fim de ser capaz

De receber  o diploma superior

Na Academia redenção

III

Fora...alma  errante no passado

A brilhar no império do orgulho

E agora, totalmente transformado,

Era somente um sofredor

A resgatar a dívida,

Sem queixa ou barulho.

Trazia o peito em chaga,

Na existência sofrida

A alma sufocada

Pela angústia e solidão.

IV

Desperto, no viver de então,

Sentia-se tal qual cantor

À Busca da melodia encantada

Do verdadeiro amor.

Trazia na mente, marcada

A necessidade de desenvolver

O amor no coração

A fim de obter a liberdade

Ao final da evolução.

V

Era aquela, uma tarde diferente

De outras tantas que tivera.

Em que ouvia o pulsar do coração

No compasso, de nova primavera.

Estava absorto e inebriado

Contemplando o sol posto no poente

Quando notou que a seu lado,

Alguém o fitava atentamente

Como quem tem um recado

Deveras... importante.

VI

Quem seria...

Aquela jovem de beleza rara

A sorrir serenamente?

Será que deveria indagar-lhe o nome?

Como a ler a sua mente

Ela diz timidamente

_Se é preciso que o informe,

Senhor, o meu nome, é Maria.

VII

Trazia ao colo, tenra criança,

Lembrando um anjo divinal

Cabelos, louros à semelhança

De maduro trigal.

Que o encarava docemente

Envolvendo-o em paz e calma

Afastando de repente,

Toda amargura de sua alma.

Infundindo-lhe energia,

Devolvendo-lhe a esperança.

VIII

Tomado de estranha alegria,

Estendeu de pronto o braço

o pequenino que com o olhar lhe sorria.

Maria, talvez necessitada,

De aliviar o cansaço

Entregou-lhe o seu menino

De cabeleira dourada.

Que ele prontamente,

Aconchegou em seu regaço.

IX

Sem saber o porque da emoção

Sentia na alma deserta

Cantar de júbilo o coração.

Doía-lhe, no peito a chaga aberta,

Ulcerosa ferida transformada

Em açoite de purificação.

Mas era imperioso suportar

Um tanto mais, aquele pequeno fardo,

A fim de auxiliar

A jovem mãe que havia encontrado

X

Estava assim compenetrado

Quando estremeceu-lhe  o corpo

Assustado ele sente,

Adentrar em sua veste

A mãozinha miúda da criança

E roçar-lhe de leve a ferida,

No pedaço de carne, já sem vida.

Imediatamente,  se acende no ser,

A confiança, iluminando sua mente.

XI

Sua alma, totalmente se reveste

De indizível bem estar.

Quase hipnotizado,

Devolve à mãezinha o filho amado,

Que ela recolhe e embalar.

O infante mais lhe parecia

Augusto querubim

A entoar calado na celeste harmonia

A melodia do amor sem fim.

XI

Partiu a meditar nas Profecias

Quem seria, o aclamado Messias?

Nem notou que a dor,

Não mais o atormentava

E enquanto caminhava

Passou a mão sobre a ferida.

Súbito, estacou, chorando emocionado

Ele  gritou: _ Senhor da Vida,

Ela secou, foi suprimida.

Era ele, era ele, Pai amado

O Divino Messias tão esperado!

XII

E compreendendo a extensão

Da dádiva de amor que recebera,

Ajoelhou-se ali mesmo no chão.

Na garganta, a voz emudecera.

Então, erguendo ao céu

O olhar em pranto

Elevou a mente em prece agradecida:

_Senhor da Vida, eu não mereço tanto.

Sou agora, seu servo reconhecido,

Que há de viver daqui pra frente

Somente a medicar e a curar feridas

XIII

A partir deste instante,

Seguiu em constante perigrinação.

De encarnação a encarnação

Procurando descobrir

O sentido profundo das leis da criação

Desenvolveu a inteligência

À luz perene da ciência

Mostrando à humanidade

Sedenta de humanismo,

A cura pelo magnetismo.

XIV

Foi médico... cientista,

Da ciência, fez-se artista.

Constatando a necessidade

Da conquista da humildade

Rogou à Divina bondade

Lhe concedesse a bênção

De renascer escravo do Senhor

Mas sentia... no espírito lutador

Que precisava concluir

A antiga promessa, no porvir.

XV

E por fim, espírito missionário,

Seu laboratório instalou

Colocando o equipamento necessário

Na sala astral de pequeno leprosário.

E trabalhou, tendo por guia, caridade

Buscando socorro, na mediunidade

Assim pediu então:

_Me ajuda  João?

Eu necessito de si

Para cumprir o que um dia prometi.

XVI

Anote aí o que vou ditar

É a fórmula de um ungüento

Que vai levar, pólo a pólo

Da nossa Terra querida

Consolo e alívio ao sofrimento

De toda e qualquer ferida.

XVII

E o nosso Tio João,

Um pouco mais apressado

Tomou um papel amassado

Que havia encontrado no chão.

E a pena em sua mão

Escreveu firme e sem medo:

POMADA VOVÔ PEDRO

XVIII

E agora pelo caminho

Vai seguindo o “Potinho”

Que mostra, no seu recado,

Algo ainda incomum:

O amor de Deus concentrado,

Sendo materializado

Pelo amor de cada um.

Poesia recebida pela médium Marisa Cajado - Autor espiritual desconhecido

 

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Imagem: Tela Marisa Cajado

 

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