ARI BARROSO

O compositor a seguir imortalizou-se por seu amor ao Brasil. Ele não admitia que os estrangeiros influenciassem nossa música, Ari Barroso.

Na época que viveu na Terra, surgia o samba influenciado pelo lundu e batuque entre outros ritmos. Era produzido pelos compositores das favelas do Rio de Janeiro, o samba de morro. O rádio já havia ganho espaço e o  disco contribuía para a divulgação da música no rádio e nas casas.

Quando hoje, eu vejo a música expressa em formas tão diversas, cds, dvds, disquetes, computador etc... fico pensando naquele tempo , quando nossos músicos conseguiam gravar uma música de cada vez, no velho disco de vinil. Aquele enorme círculo preto que trazia gravado somente, duas músicas.

Mas mesmo assim ele fazia a prosperidade e a  alegria de muitos.

Ari Barroso, iniciou no rádio e no cinema  sua carreira artística. Lançou com grande sucesso o seu programa Calouros em desfile na rádio Cruzeiro do Sul, em 1937, que foi levado para a Rádio Tupy no Rio de janeiro.

De personalidade firme e perfeccionista exigia muito dos calouros.

Conta a história do rádio que uma menina de seis anos, garotinha raquítica e de voz rouca, que morava na Favela da Água Santa, no Engenho de Dentro(RJ), filha de uma lavadeira e um operário, já sabia o que queria da vida: cantar. Aos 12, era mãe. Aos 13, trabalhava como empregada doméstica para sustentar o filho.

Ela  vivia cantando o tempo todo. Não se importou de ouvir da patroa: “pare com isso! Acha que vai chegar a algum lugar? Vá para a cozinha!” As pessoas gritavam, fazendo piada: “Ela quer ser cantora do Ary Barroso!”.

Tempos depois a menina resolveu se inscrever no programa do famoso compositor. “Eles ofereciam um prêmio pela nota cinco. Aquela jovem precisava de dinheiro para salvar o filho, que estava morrendo por falta de comida.Na hora da inscrição, pensou que talvez não tivesse chance. O programa exigia, todo mundo bem vestido para se apresentar, e ela não tinha roupa. No dia marcado ela apareceu com uma saia da mãe, ajustada com alfinetes. Tremeu quando ouviu Ary Barroso chamar seu nome: “Elza Gomes da Conceição”

Subiu ao palco, parecia uma bruxinha magrela, numa roupa enorme. O auditório fez silencio.

Ary Barroso perguntou:

_ O que você veio fazer aqui?

_ Vim cantar seu Ary.

A platéia irrompeu em gargalhada. Ele fez outra pergunta:

_ De que planeta você veio? _ Vim do mesmo que o seu, seu Ary _ Instigado, ele retrucou:

_ E qual é o meu planeta?

_ Vim do Planeta Fome- disse ela.

Ari era exigente mas muito humano e justo.

Fez- silêncio, ela soltou a voz e terminou de cantar, nos braços de Ary,  enquanto ele afirmava emocionado:

_ Senhoras e Senhores, acaba de nascer uma estrela!

Assim era Ari Barroso, sabia reconhecer o talento verdadeiro. Exaltar o Brasil foi sua religião. A música, parte integrante da vida.

Embora a mudança para outro plano de vida, compõe ainda sobre o Brasil e é grande sua preocupação com o seu destino.

A primeira melodia que captei dele falava sobre a Fraternidade  ”

"Aqui ninguém é estrangeiro, aqui todo mundo é brasileiro”

No inicio tive bastante dificuldade em assimilar as melodias porém com o tempo isso foi se  suavizando pela sintonia mais apurada.

A sintonia é poderoso agente de comunicação. Quando em sintonia os fluidos casam-se com maior facilidade e a recepção é mais perfeita.

Certa noite ao captar uma melodia que vinha dele sentei-me ao teclado. Minhas mãos deslizavam, porém não conseguia subtrair a música com a necessária precisão. Irritada, depois de algum tempo, fechei o teclado e murmurei : Isso não é de Ari Barroso , isso é meu.

Adormeci e acordei por diversas vezes durante a noite captando pedaços de letras e melodia. Sonolenta anotava e voltava a dormir. Pela manhã verifiquei que aqueles pedaços compunham uma letra Brasil e Mediunidade. Voltei ao teclado e executei sem maiores problemas a melodia. Uma forma diferente de captação provando a autenticidade daquilo que eu própria duvidara.

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Imagem: Tela Marisa Cajado

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