ADONIRAN BARBOSA

Notamos que cada cancioneiro apresenta uma peculiaridade.

Atuaram de modo marcante onde viveram. Foi o que aconteceu a Adoniran Barbosa.
Adoniran possuía o dom especial de dizer as grandes verdades de maneira simples.
Observador e artista nato fazia poesia e música dos fatos curriqueiros do dia a dia.
Nesta simplicidade e no linguajar errado alcançava o coração do povo.
Hoje ele ainda traz essa mesma característica.

Suas canções as para o alerta da justiça maior.

São Paulo de Adoniran Barbosa

               As imagens aqui inseridas são da Agência o Estado com direitos reservados

São Paulo de Adoniran, das mulheres elegantes com seus mantôs coloridos passando pelo viaduto do chá, imprimindo um toque de graça 'a paisagem cinzenta pela garoa fina qu era sua marca registrada.

Os homens de sobretudo e chapéu , enfrentando o frio úmido e cortante.

Os bondes lotados, contrastando com os poucos carros de propriedade da classse mais abastada.

Época do Mappin , o mais importante Magazine que antecedeu os shoppings centers atuais. Mappin dos elegantes desfiles e do chá da tarde frequentados pela elite da época.

Adoniran viveu em São Paulo no bairro do Bexiga.

A sabedoria aplicada de forma simples para atingir determinada camada social  foi seu compromisso e parece que continua sendo.
É a força de dois planos entrelaçando-se para dar alento e esperança.

No dizer Vinicius agora:

“ Nunca se morre, a gente só passa para outro estágio da evolução/nascendo de novo/trocando a carcaça/descobrindo o que ocorre/na imensidão”

Suas composições atuais na dimensão onde se encontra seguem a mesma tônica:

“ Vai meu aviso pro ceis, agora que sou defunto, ta cheio de fregueis aproveitano junto”
 “O corpo é dado pra nóis anda pra frente é coberto da gente pra esquenta até o fim, mas acontece que fiquemo indiferente, num há cuberta que agüente tanto martrato assim”
“ Todo nariz empinado , que é rei por desafio, quando passa deste lado, fica só a ver navio"

Inspirou-nos várias melodias mas só temos gravada duas delas.

Colocarei aqui as letras das não gravadas.

 

CUMIGO MEMO

Acabou-se esta história de eu
Aqui só se fala nóis
Na Terra eu falava a esmo
Que compunha
Cumigo memo
Mas na verdade esta turma
Que ficava me inspirando
Continua aqui cumigo
Ainda está me acompanhano
Ela é o amparo amigo
Dos amigos que plantei
A amizade é o abrigo
Mais seguro que achei

Adoniran Barbosa
Santo Anastácio-21/06/95 - 12:45

SE PENSA

Se pensa que tá com tudo
E tem o rei na barriga
Tá bancando o oreiudo
E sua vida periga
Todo nariz empinado
Que é rei por desafio
Quando passa deste lado
Fica só a ver navio
Nós só trais o que nóis demo
E o bem que pratiquemo
Põe reparo na verdade
Rei é quem tem humirdade

Adoniran Barbosa
Goiânia,31/09/93-11:20h

OI EU AQUI

Oi eu aqui
To cantando pra vale
Ocês num sabe e num pode é vê
Que este mundo
É um mundo bem presente
A gente a ainda é gente
Mais bunito podes crê
Vamu levando
A vida cumo se pode
Se num trabaiá, dá bode
Fica tudo cumpricado.
Fazemo roda e cantemo
Nosso samba
A turma tá muito mais bamba
Na melodia que explode.
Os meus amigo
Eu aqui tenho encontrado
Se deparando
Cum compromisso do passado
Tudo ferrado
Mas mesmo assim
Vamo caminhando em  frente
Sempre cantando
nosso canto inteligente
E para Terra mandemo
Nossa voz mais quente
Comunicano
Nossa vida existente.

Guarujá - Adoniran Barbosa
10/10/2004

ODE  AOS CANCIONEIROS

Mas sim sinhô
Num é conversa mole
Gonzaga e o fole
Ainda está demais
E o Pixinga
No sax engole
Não há o que não sole
Toca é muito mais
Elis e o seu requebrado
Num samba rasgado
faz todo o festim
E num farta
A Darva e D. marta
Cartola, Ari, Noel
E Heriverto Martim

O Sergio, nem tem dó
Junto cum Jacó
Sempre dando nó
No seu bandolim
E a Clara
Com sua voz rara
Vai rodando a saia
Ocê acha ruim?
Tonho Maria
Está muito elegante
O Chico Alves
Continua galante
A Chiquinha
Ainda dá de maestrina
Enquanto o maestro Gomes
Rege e ensina
O Zequinha
Valseia
A mais ver
E o Ernesto Nazareth
Chora chorinho pra valer
Aqui, a roda continua
Vinicius e a lua
Junto cum Jobin
Canto de paz
Amor na rota
Que a gente conforta
Base de amizade
Eu quero mais desta gente, morta???
Batendo na porta
Da felicidade

Adoniran Barbosa
Guarujá 29/06/03 10:30H

 

 

 

 

 

 

 

MAIS ISTO NUM É CUM OCEIS
TÁ CERTO?

Meus  amigo vô chegano
Vim aqui pra cunversá
Porque agora tô quereno
Espiritismo estudá
Os centro vô visitano
Prá podê observá

Entro e assisto as palestra
Fico inté emocionado
É tanto falá bonito
Me deixa desconcertado
Mas na hora do trabaio
Cada um sai pro seu lado

REFRÃO
Mais isto num é cum ôceis tá certo?
É co’a turma do otro centro

Muito médium que conheço
No centro fala macio
Quando chega em sua casa
Me dá até um arrepio
Palavrão e bofetada
Em sua boca é elogio

Já ouví explicação
Sobre amor e harmonia
Paciência e perdão
É coisa pra todo dia
Mas no centro União
João num fala cum Maria

Em dia de reunião
Se deve guardar respeito
Desde cedo prepará
Para trabalhar direito
Num faz mal uma forguinha
Amanhã entro na linha
Eu escutei,  explanação
A sua boca só fala
Do que está cheio o coração
Mas deste lado,
Um grupinho deu seu jeito
E a fofoca acabô
Cum tudo que tava  feito

Eu então fiquei, por aqui matutano
Espiritismo dá muita advertencia
Tem tanta fala, ação qui é bão,
Fica fartando
Mais Deus tem paciência
Cuntinua esperano!

Adoniran Barbosa
Guarujá, 24/02/94 l3:30h

TRABAIO E GRAÇA

ESTRIBILHO
Pois é Seu Mané pois é
De graça só trabaia quem quizé

Aqui se quizé ganhá trocado
Tem que trabaia afincado
Em trabaio de construcão
Quando cheguemo
Já foru nus informano
Que vagabundo
Fica por aí vagano
Sem nenhuma proteção

Mais o trabaio aqui
Dá grana grossa
Vale mais que uma roça
Em tempo de chuva boa
Todos us trabaio
É muito bem recumpensado
E faiz nois ficá alegrado
E num querê ficá atoa

E quanto mais
De graça nois trabaia
Mais nóis vai juntano graça
Pro sprito miorá
Vô inté aconseiano
Meus amigo aí de baixo
Si num qué fazê fiasco
Qui cumece a trabaiá

Adoniran Barbosa
 Santo Anastácio - 26’01/95

POIS É SEU JOSÉ

Pois é Seu José pois é
Aqui nóis num toma nem café

Já tão dizeno que eu tô
Virano Santo
E inté memo me espanto
Da vida espirituar
Mais percebí que é meno mar
Ficá na seca que tomá
Umas birita e virá um parasita

Aqui nóis vê novidade pra valê
Que ocêis nem sonha
E nem dá pra nóis contá
Mas vou andando
Com saudade da Terrinha
Que é do ceis e tamém minha
Sei que um dia vô vortá

O principar é que num
Fiquei parado
Tô inté mais arrumado
Quiria que oceis mi visse
Tô cantano até bem mais afinado
Neste otro povoado
Quiria que oceis me ouvisse

Quando cheguei  sentí dificurdade
Mais garrei na amizade
De quem tava aqui mais tempo
Cum humirdade
E muita força de vontade
Troquei minha sardade
Por otro encantamento

Adoniram Barbosa
Santo Anastacio, 24/01/96 00:20h

 

 

Imagem: Tela Marisa Cajado

 

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