LUIZ GONZAGA

Impressionante perceber que estes compositores que nasceram em lugares tão diferentes acabaram se encontrando e sendo amigos comuns em torno da música.
Intuitivamente sabiam do seu compromisso. Impulsionar a música, delinear-lhe os contornos e envolver o povo nas canções enternecendo-lhe a vida sempre sofrida e incerta enquanto habitantes da Terra.

Leis naturais governam a química do corpo e da mente, assim como os efeitos físicos e mentais da música. Estas leis foram estudadas através de experiências científicas e cuidadosas observações.

Ao medir os efeitos dos estímulos da música, os investigadores encontraram respostas fisiológicas:

Aumento na frequência de pulso e na resistência elétrica da pele.

A presença física do som influencia nossas reações.

Os cancioneiros são valorizados pela influência que tiveram na vida  das pessoas e isso ficou registrado. Sua trajetória de sucesso influenciou a cultura, nas letras e músicas que eles interpretavam. Por isso sua importância no cenário mundial


Foi o caso de Luiz Gonzaga que nasceu em Exu PE em 1912.
O amor que Luiz Gonzaga passava em suas apresentações tocava o coração de todo povo brasileiro.

Cantou a dor do seu povo nordestino e exaltou o seu sertão.
Ainda o faz. Certa ocasião,  estava no avião rumando para Recife onde faria algumas apresentações e  corrigia o resumo  das palestras que ia proferir para jovens, no Palácio de Convenções de Recife .
A umidade do ar lá fora refletia um arco íris sobre a folha de papel que eu tinha à frente, na mesinha de refeição da aeronave.

Senti então a presença espiritual de Luiz Gonzaga passando-me esta composição:

NAS CORES  DO ARCO IRIS

Nas cores do arco íris
Mando som pro meu sertão
E nele vou viajando
Junto à asa do avião
Meu Nordeste tão fagueiro
É feliz a tua sorte
Neste solo brasileiro
Tu és raça da mais forte
Tua dor abre passagem
Pra outra felicidade
A seca de Tua imagem
É verdor na eternidade
Sou eu aqui de novo
Sem a cadeira de rodas
Abraçando o meu povo
Cantador de trovas novas
Sou eu mesmo com meu fole
Na batida do baião
Meu Nordeste deixas mole
Cá no peito o coração.

Luiz Gonzaga
Viagem de avião - S.P.-Recife 28/06/95-15:50h

Era o “LUA” saudando seu Nordeste querido. Eu ainda não sabia que ele havia feito sua ultima apresentação em uma cadeira de rodas, só tomei conhecimento do fato  numa apresentação de TV no programa de Samir Abuana. Desta forma justificava-se o verso em que citou a cadeira de rodas e que não entendi. Dei o recado no programa de Samir. Eu nem sabia que ia dar uma entrevista na TV.
Muitas e muitas foram as vezes que os cancioneiros deram seus recados antecipados e que eu ia entendendo no decorrer do tempo.
Luiz Gonzaga iniciou sua carreira com seu pai e mudou-se mais tarde para São Paulo e foi calouro de Ari barroso, outro cancioneiro.
Na nova dimensão não se esquece de seu Nordeste.

“ Sou caminheiro
Que já sabe o que é saudade
E que ainda tem vontade
De cantar pro seu sertão ”
       ***   
 “ E quando a noite
Estende o véu negro estrelado
Eu digo muito obrigado
Pela força da oração
Guarda contigo
No teu manto protetor
Envolve no teu amor
A minha gente do sertão”

***

 “ Os meus amigos
Eu aqui fico aguardando
Todo dia que vem vindo
Gente nova vai chegando
É um vai e vem
No traçado do destino
Mas por conta do Divino
Sei que vou voltar também”
   ***        
“ Não se queixe da topada
Nem do espinho sob o pé
A alma despedaçada
Testa sempre sua fé
Dor por lágrima regada
Na paz da conformação
Que promove a florada
Na seca do coração”
      ***           
 “Essa turma se quer muito
Uma mão puxa outra mão
Quem na terra amou junto
Aqui não se larga não”

  
Assim nosso Gonzagão continua.
Compõe com o mesmo amor e o mesmo estilo comprazendo-se em trazer à Terra notas de esperança, paz e esclarecimento como mostra esta rica melodia.

Eu sou poeta
E não nego a minha raça
Sigo rindo e achando graça
Só chorando de emoção
A minha meta é viver
Tudo o que passa
Esquecer o que foi jaça
Aquecer o coração

Sou juazeiro  desta terra do cruzeiro
Trabalhando o tempo inteiro
No sem fim da amplidão
Sou caminheiro
Que já sabe o que é saudade
Mas que ainda tem vontade
De cantar pro seu sertão


Luiz Gonzaga por Marisa Cajado15/06/93


Presidente  Eurico  Dutra ouvindo Luiz Gonzaga cantar Mula Preta,
 à direita o Canrobert  1949 -    Livro Nosso Século p.23


BIOGRAFIA DE LUIZ GONZAGA
 



 Nasceu numa fazenda em Exu/PE e faleceu em Recife/PE.
 Aprendeu a tocar sanfona com seu pai, que tocava em bailes e consertava sanfonas.
Trabalhou na roça, tocou em bailes, forrós e feiras. Já era relativamente conhecido como sanfoneiro, quando, em 1930, fugiu de casa e foi para Fortaleza/CE onde ingressou no Exército.    

Em 1939 foi para o Rio de Janeiro, onde deu baixa do Exército e ali ficou, apresentando-se em bares cariocas do Mangue, cabarés da Lapa, festinhas e até nas ruas, tocando vários estilos musicais. Em 1941 foi convidado a gravar como solista.
  Em 1943 conheceu o sanfoneiro Pedro Raimundo, que se vestia com trajes tipicamente gaúchos, o que o inspirou a vestir-se como vaqueiro nordestino. Neste mesmo ano conheceu seu primeiro parceiro, Miguel Lima, que colocou letra em Vira e mexe, rebatizando-a "Chamego".
Grava, em 1945, pela primeira vez como cantor, lançando "Dança, Mariquinha" e "Dezessete e setecentos" - que foi grande sucesso na voz de Manezinho Araújo, ambas em parceria com Miguel Lima. Neste mesmo ano, o "Lua" - como ficou conhecido, torna-se parceiro do cearense Humberto Teixeira, com quem estabeleceu o ritmo, o estilo e a temática de uma nova categoria musical: o baião. São dessa época, os sucessos "Baião", "Asa Branca", "Juazeiro" e "No meu pé de serra".
Teve parceiros diversos, como Hervé Cordovil, Zé Dantas, João Silva.
Com a ascensão da Bossa Nova, em 1954, o "Rei do Baião" - como ficara conhecido, cai um pouco no esquecimento nos grandes centros urbanos, preferindo apresentar-se em cidades do interior.     Na década de 80 sua carreira toma novo impulso, graças a Gilberto Gil, Caetano Veloso, e à parceria feita com seu filho Gonzaguinha.
      
http://www.cliquemusic.com.br/artistas/luiz-gonzaga.asp   

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Imagem: Tela Marisa Cajado

 

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