LUIZ GONZAGA

Impressionante perceber que estes compositores que nasceram em lugares tão diferentes acabaram se encontrando e sendo amigos comuns em torno da música.
Pareciam saber que seu compromisso era impulsionar a música, delinear-lhe os contornos e envolver o povo nas canções enternecendo-lhe a vida sempre sofrida e incerta, enquanto habitantes da Terra.
Foi o caso de Luiz Gonzaga que nasceu em Exu PE em 1912.
O amor que Luiz Gonzaga passava em suas apresentações tocava o coração de todo povo brasileiro.
Cantou a dor do sertão nordestino e exaltou a dignidade de seu povo.
Ainda o faz. Certa ocasião,  estava no avião rumando para Recife onde faria algumas apresentações e  corrigia o resumo  das palestras que ia proferir para jovens, no Palácio de Convenções de Recife .
A umidade do ar lá fora refletia um arco íris sobre a folha de papel que eu tinha à frente, na mesinha de refeição da aeronave. nesta época ainda não utilozava o leptop.

Senti então a presença espiritual de Luiz Gonzaga passando-me esta composição:

NAS CORES  DO ARCO IRIS

Nas cores do arco íris
Mando som pro meu sertão
E nele vou viajando
Junto à asa do avião.


Meu Nordeste tão fagueiro
É feliz a tua sorte
Neste solo brasileiro
Tu és raça da mais forte.


Tua dor abre passagem
Pra outra felicidade
A seca de Tua imagem
É verdor na eternidade.


Sou eu aqui de novo
Sem a cadeira de rodas
Abraçando o meu povo
Cantador de trovas novas.


Sou eu mesmo com meu fole
Na batida do baião
Meu Nordeste deixas mole
Cá no peito o coração.

Luiz Gonzaga
Viagem de avião - S.P.-Recife 28/06/95-15:50h

   Era o “LUA” saudando seu Nordeste querido. Eu ainda não sabia que ele havia feito sua ultima apresentação em uma cadeira de rodas, só tomei conhecimento do fato  numa apresentação de TV no programa de Samir Abuana, que foi feita quando cheguei a Recife. Desta forma justificava-se o verso em que citou a cadeira de rodas e que não entendi. Dei o recado no programa de Samir. Eu nem sabia que ia dar uma entrevista na TV.
    Muitas e muitas foram as vezes que os cancioneiros deram seus recados antecipados e que eu ia entendendo no decorrer do tempo.
Luiz Gonzaga iniciou sua carreira com seu pai e mudou-se mais tarde para São Paulo e foi calouro de Ari barroso, outro cancioneiro.
Na nova dimensão não se esquece de seu Nordeste

“ Sou caminheiro
Que já sabe o que é saudade
E que ainda tem vontade
De cantar pro seu sertão ”
          
 “ E quando a noite
Estende o véu negro estrelado
Eu digo muito obrigado
Pela força da oração
Guarda contigo
No teu manto protetor
Envolve no teu amor
A minha gente do sertão”

 “ Os meus amigos
Eu aqui fico aguardando
Todo dia que vem vindo
Gente nova vai chegando
É um vai e vem
No traçado do destino
Mas por conta do Divino
Sei que vou voltar também”
           
“ Não se queixe da topada
Nem do espinho sob o pé
A alma despedaçada
Testa sempre sua fé
Dor por lágrima regada
Na paz da conformação
Que promove a florada
Na seca do coração”
                 
 “Essa turma se quer muito
Uma mão puxa outra mão
Quem na terra amou junto
Aqui não se larga não”

  
Assim nosso Gonzagão continua, o mesmo "LUA", apontando luar.
Compõe com o mesmo amor e o mesmo estilo comprazendo-se em trazer à Terra notas de esperança, paz e esclarecimento como mostra esta rica melodia.

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Fundo Musical Asa Branca - Arranjo Sibélius

Imagem: Tela Marisa Cajado

 

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